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CATÁBASE (O RITO DAS ENTRANHAS)

[Intro: Vento cavernoso e eco de passos pesados. Atabaque Rum lento, marcando o pulso cardíaco em 75 BPM. Coro em Ré Menor rascante ao fundo] [Spoken Word: Microfone colado na boca, seco, sem reverb, sussurro ríspido] Vocês juraram que eu caí no buraco que cavaram. (Risada curta, rouca) Coitados. Eu não tropecei no abismo. Eu desci pra cobrar o aluguel do chão. [Verse 1: Low-pass filter abre devagar, 808 arrastado, bumbo seco de Boom-Bap] Degrau por degrau, sem pedir vela ou lanterna, Rasgando o verniz dessa moral moderna. Deixei a santidade apodrecer no primeiro patamar, Onde santo de gesso cobra dízimo pra te sufocar. Aqui embaixo a verdade não usa máscara nem terno: Tem gosto de cobre, bile e fogo de inferno! [Pre-Chorus: Atabaques aceleram em polirritmia cortante, cordas dramáticas sobem em staccato] Vim desenterrar a carne que o medo mandou queimar, Fazer a autópsia da dor que tentaram me empurrar! Não tem diabo de chifre na minha contabilidade... O capeta é o covarde fantasiado de autoridade! [O instrumental corta a seco por 0.5s. Barulho metálico ensurdecedor de portão de ferro estourando: CLANG!] [Chorus: MASSIVE DROP! 808 distorcido no talo, Phonk sujo, atabaques quebrando tudo, vocal rasgado em belting duplo] CATÁBASE! ESSA PORRA É A MINHA DESCIDA REAL! O EXPURGO DO MEU PRÓPRIO PORTAL! QUEM ANDOU NO ENTULHO NÃO SE CURVA PRA NADA, MINHA CARNE É FORJADA NA BRASA QUEIMADA! A terra estremece, a carcaça ferveu! O dono do abismo... (Scream rasgado) AGORA SOU EU! [Verse 2: Flow sincopado de rap agressivo, dentes trincados] Chamo cada fantasma pelo primeiro nome, A tua mentira barata, tua sede e tua fome. Tua pose de plástico derreteu no calor, O Judas covarde virou o cobrador. Eu não desci pra sangrar, eu desci pra tomar A chave do fosso e aprender a mandar! [Bridge: Silêncio abrupto. Corta toda a bateria. Somente um violoncelo dissonante chorando e respiração pesada] [Vocal: ASMR ríspido, colado no ouvido, venenoso] Orfeu olhou pra trás... e perdeu o amor da vida. Eu olhei pra trás... (Pausa - 1 segundo) ...e reconheci a ferida. Eu não perdi nada. Eu só desci pra quebrar a mão de quem me empurrou. [Final Chorus: EXPLOSÃO MÁXIMA! Muralha de som: Atabaques + Orquestra gótica + Trap distorcido] CATÁBASE! ESSA PORRA É A MINHA DESCIDA REAL! O EXPURGO DO MEU PRÓPRIO PORTAL! QUEM ANDOU NO ENTULHO NÃO SE CURVA PRA NADA, MINHA CARNE É FORJADA NA BRASA QUEIMADA! A terra estremece, a carcaça ferveu! O dono do abismo... AGORA SOU EU! [Outro: O beat dissolve em repiques lentos de atabaque e dobre fúnebre de sino] [Vocal: Barítono grave, arrastado] A descida acabou. O inventário tá limpo. Agora abre caminho... que o retorno vai ser cobrado em sangue. [Tranca de ferro batendo seca: PÁ!] [Silêncio absoluto]