(estrofe 1) No ventre da terra dorme o mistério, Um grão minúsculo, de ar tão etéreo, Que o vento sem pressa, em tom sincero, Depõe no chão, qual gesto sincero. (estrofe 2) Não pede alarde, nem som, nem brisa, Mas sente a vida que o sol avisa, E ao toque da chuva, que lhe suaviza, Surge a promessa que o tempo eterniza. (estrofe 3) Cresce discreta, rasgando o escuro, Vence o silêncio, enfrenta o duro, Sabe que o solo é o lar mais puro, Pra quem tem fé num sonho seguro. (refrão) Quem vê tão pouco, não sabe o bastante, O grão é minúsculo, mas é constante, Dentro do mínimo mora o gigante, Na seiva do tempo, o amor triunfante. (estrofe 4) Sob o azul do céu, a vida ensina, Que a força nasce do que germina, Não do tamanho, mas da disciplina, Que o sol desperta na alma divina. (estrofe 5) E quando as folhas dançam contentes, O campo aplaude, feliz e crente, A natureza é um palco evidente, Do milagre oculto na semente. (refrão) Quem vê tão pouco, não sabe o bastante, O grão é minúsculo, mas é constante, Dentro do mínimo mora o gigante, Na seiva do tempo, o amor triunfante. (estrofe 6) Curtindo o vento, a flor, o perfume, Percebo o mundo em terno costume, Tudo é ensino, tudo é lume, De um Deus que cria sem ter volume. (estrofe 7) E ao ver no campo a tarde dourada, Penso na semente abençoada, Que mesmo pequena, é destinada A ser árvore eterna, em luz consagrada. (refrão) Quem vê tão pouco, não sabe o bastante, O grão é minúsculo, mas é constante, Dentro do mínimo mora o gigante, Na seiva do tempo, o amor triunfante.