
(estrofe 1) Nos vales de Hebrom nasceu o desengano, Irmãos vendendo José por frio desdém; Chamaram “vontade divina” o gesto insano, Mas Jesus revelou que tal mal vem do além. ... (estrofe 2) A túnica rasgada virou sombra e dor, E Moisés supôs que Deus traçara o chão; Porém o Cristo mostrou um Pai de amor, Que nunca ordena a queda da mão do irmão. ... (estrofe 3) Caravanas levaram o jovem ao Egito, E o texto antigo leu nisso um decreto; Mas Jesus rompeu o dogma restrito: O Pai não guia com golpe direto. (refrão) Não, não foi Deus quem traçou o desgosto, Nem quem soprou o ódio duro e humano; O Pai de Jesus tem outro rosto, Que nunca abençoa o gesto tirano. ... (estrofe 4) José cresceu entre muros estranhos, Com sonhos vivos guardados no peito; E Moisés ainda lia nos tamanhos Dos males um “propósito perfeito”. ... (estrofe 5) Mas o Rabi que veio com manso tom Retirou do Altíssimo tais culpas cruéis; Ele disse: “Do coração nasce o que é dom, E também o mal que mancha os papéis.” ... (estrofe 6) E no reencontro que trouxe lágrimas quentes, José viu irmãos buscando perdão; Jesus ensina que o Pai não quer ferentes, Mas reconciliação como única canção. (refrão) Não, não foi Deus quem traçou o desgosto, Nem quem soprou o ódio duro e humano; O Pai de Jesus tem outro rosto, Que nunca abençoa o gesto tirano. ... (estrofe 7) O palácio que acolheu o hebreu vencido Foi leitura torta de um plano maior; Jesus mostra: Deus não usa o ferido Como engrenagem de um destino de dor. ... (estrofe 8) E assim compreendi que o Jeová antigo, Visto por Moisés com visão limitada, Não é o Pai que Cristo traz consigo: É luz sem culpa, ternura elevada. ... (ponte) E eu choro ao lembrar meu zelo sem luz, Quando defendi com ardor o equívoco antigo; Perdi ternura tentando seguir o que seduz, Sem perceber que o Deus de Jesus era meu abrigo. (refrão) Não, não foi Deus quem traçou o desgosto, Nem quem soprou o ódio duro e humano; O Pai de Jesus tem outro rosto, Que nunca abençoa o gesto tirano. ... (refrão final) Agora descanso no Deus revelado, Cordeiro eterno, ternura que abraça; Em Cristo encontro meu lar restaurado, E toda dor finalmente se desfaz e passa.

