Sob estandartes rasgados pelo sol da vitória, Ergui meu arco contra o fim da história, Cantaram meu nome nos muros do além, Mas nunca cantaram quem fui para alguém. Na forja das guerras vesti o clarão, Coroa de ferro, promessa e missão, Mas à luz da lareira, sem glória ou troféu, Fui riso e canção num pequeno céu. Entre a lâmina e o berço, eu aprendi a ficar, Metade tempestade, metade lar. [Refrão] Sou flecha que corta o destino e o ar, Sou braço que embala quem precisa sonhar, Heroína nos cantos que o reino entoou, Mas guardo silêncios que ninguém escutou. Se o mundo exigir que eu me erga outra vez, Erguerei com ternura e com altivez, Pois sob minha armadura, onde o mito se fez, Pulsa um coração que escolheu vocês. [Verso 2] Chamaram de queda o que foi redenção, Chamaram de guerra uma rendição, O monstro curvou-se sem sangue no chão, E o reino escreveu outra versão. Nas letras miúdas da paz que escondi, Num nome trocado, ele viveu por mim, Dezessete invernos guardando calor, Trocando a ruína por tinta e amor. Nos olhos do filho brilhou o clarão, Da verdade rasgando qualquer proteção, Agora o trovão corre livre e feroz, Carregando o peso que era de nós. [Pré-Refrão] Se a justiça exigir que eu negue quem sou, Qual juramento primeiro eu honro ou desfaço depois? [Refrão] Sou flecha que corta o destino e o ar, Sou mão que implora para o tempo parar, Heroína nas torres que o reino guardou, Mas mãe de um segredo que o medo criou. Se o mundo me chama pra guerra final, Responderei firme, mas jamais igual, Pois sob cada estrela que a história escreveu, Existe a verdade que só nós viveu. [Ponte / Break – Atmosfera solene, quase sussurrada] Os sinos dobram nomes que o vento levou, Juramentos dormem onde ninguém olhou, E nas runas perdidas do trono e do céu, Ecoa o verso que ninguém entendeu: “Nihongo de nanika kudaranai koto” Quebra o selo do tempo, dissolve o temor, Entre o mito e o homem, entre a guerra e o amor. [Refrão Final – Mais grandioso] Sou flecha que busca quem se perdeu, Sou chama que insiste no que renasceu, Queimarei meu título, rasgarei meu brasão, Se isso trouxer meu filho à minha mão. Se o reino ruir sob a escolha que fiz, Que ruam as lendas, mas viva o que diz Que nenhum herói nasce do aço ou da lei, Mas do que protege quando perde o que é rei. [Outro – Suave, quase cantiga] Quando o arco descansar longe da canção, E a guerra adormecer na palma da mão, Se o mundo esquecer quem um dia lutei, Que lembrem apenas por quem eu fiquei.