
(Estrofe 1) Nos livros antigos da lei ritual, ergueu-se o decreto social: quem tivesse lepra, doença temida, viveria longe do pulso da vida. (Estrofe 2) Levítico treze marcava o destino, como sentença no caminho divino, roupas rasgadas, rosto coberto, gritando “impuro!” no deserto. (Estrofe 3) Não era só dor na pele ferida, era solidão que rasgava a vida, um homem banido da multidão como sombra errante na imensidão. (Estrofe 4) A aldeia fechava seus portões, o medo erguia separações, e a fé misturava doença e pecado num julgamento pesado. (Refrão) Perdão, Senhor, não és o Jeová do temor, que afasta o doente do calor, Teu amor não constrói solidão, Teu toque devolve comunhão. (Estrofe 5) Mas Jesus caminha na mesma estrada onde a dor já era companheira calada, e um leproso se curva a implorar um gesto que possa restaurar. (Estrofe 6) A multidão prende o próprio ar, ninguém ousaria se aproximar, pois tocar naquele corpo ferido seria tornar-se também excluído. (Estrofe 7) Mas Cristo estende a mão sem temor, quebrando o muro da antiga dor, e o toque que a lei proibira torna-se graça que respira. (Refrão) Perdão, Senhor, não és o Jeová do temor, que afasta o doente do calor, Teu amor não constrói solidão, Teu toque devolve comunhão. (Estrofe 8) “Quero, sê limpo”, o Mestre diz, e a esperança floresce outra vez, a pele renasce, a alma também, como sol surgindo além. (Estrofe 9) Não foi só cura do corpo cansado, foi reintegração ao mundo amado, pois o amor que toca sem medo quebra as correntes do degredo. (Estrofe 10) E assim percebo ao reler a história que muitas leis nasceram da memória de povos guiados por proteção e temor, não pela plenitude do Teu amor. (Ponte) Perdoa, Senhor, minha antiga certeza, que confundia prudência com dureza, defendi muros como se fossem Teus, quando Teu caminho sempre foi acolher os seus. (Refrão) Perdão, Senhor, não és o Jeová do temor, que afasta o doente do calor, Teu amor não constrói solidão, Teu toque devolve comunhão. (Refrão Final) Agora descanso em Ti, Jesus-Amor, Tua graça é abrigo e calor, sei que jamais negarias compaixão, pois Deus é amor em toda criação.

