
[Intro] [Tique-taque metálico seco, baixo 808 rastejando no chão, sem reverberação] [Vocal falado, colado no ouvido, risada curta e sem dente à mostra] Você achava lindo me ver rastejar, né? Achava que eu era o otário oficial do teu espetáculo barato. [Pausa de 1 segundo] Pois senta e assiste: O idiota cansou do ensaio... E agora é ele quem dita o roteiro. [Verse 1] Eu escolhi a porta errada de propósito, escuta bem: Pisei no caco pra forjar a sola do meu próprio pé. Achei graça da tua farsa, ri na cara da tua pose, Não pra esconder a lágrima, mas pra medir a tua dose. Você vendia veneno achando que eu era o mendigo faminto, Mas eu tomei de gole largo pra imunizar meu instinto. Achou que eu tava no chão, esperando a tua mão covarde? Eu tava deitado no asfalto esperando a cidade arder! [Pre-Chorus] [A tensão rítmica sobe, palmas secas entram em síncope, guitarras distorcidas zumbem ao fundo] Não tem mais oração de coitado. Não tem mais joelho ralado. Quer me ver sangrar? Então vem com vontade: Porque a minha resposta... É destroçar tua vaidade! [Chorus] [DROP! Colisão pesada de bateria e sub-grave, vocal dobrado e berrado com deboche] ME CHAMA DE MONSTRO, ME CHAMA DE RUIM! Tua queda começou no segundo em que apontou pra mim! QUERIA UM VILÃO? ENTÃO EU BATO NO PEITO! Eu aceito o papel porque pra mim é perfeito Não imploro favor, não aceito castigo: Tua faca quebrou quando se chocou comigo! Vem tentar me quebrar, palhaço, vem pagar pra ver: O pior dos teus erros... foi me ensinar a doer! [Verse 2] Releio tuas mensagens não com saudade ou pavor, Mas com a frieza de um perito que decifra um impostor. Cada vírgula tua era um cheque sem fundo assinado, Uma tentativa podre de me manter amordaçado. Apertei a ferida até o sangue estancar de verdade, Arranquei a casca podre da tua falsa piedade. Eu não sou o coitadinho que implora por migalha na ceia: Eu sou o carrasco que chuta as cadeiras e põe a conta na mesa! [Pre-Chorus] [Bateria seca de repente, fica apenas o grave oscilando] Cospe o teu sermão engessado, Joga o teu julgamento furado. Quer me ver cair? Chega mais perto: Porque o teu abismo... Vai ser o seu desespero! [Chorus] [EXPLOSÃO TOTAL! O peso do instrumental volta rasgando as caixas] ME CHAMA DE MONSTRO, ME CHAMA DE RUIM! Tua queda começou no segundo em que apontou pra mim! QUERIA UM VILÃO? ENTÃO EU BATO NO PEITO! Eu aceito o papel porque pra mim é perfeito Não imploro favor, não aceito castigo: Tua faca quebrou quando se chocou comigo! Vem tentar me quebrar, palhaço, vem pagar pra ver: O pior dos teus erros... foi me ensinar a doer! [Bridge] [Silêncio quase absoluto. Apenas um prato metálico ressoando longe e passos pesados] [Vocal sussurrado, lento, venenoso, teatro puro] Me chamou de fraco... Me chamou de atraso... Achou que o teu grito era minha sentença. [Pausa longa / respiração profunda] Que erro grotesco. Eu guardei cada pedra que você me atirou. Não pra construir altar... Mas pra ter munição suficiente quando o jogo virasse. E adivinha? [Grito rasgado e súbito no microfone] O JOGO VIROU, CARALHO! [Chorus Final] [Tudo no talo! Distorção máxima, vocais de fundo em coro furioso] ME CHAMA DE MONSTRO, ME CHAMA DE RUIM! Tua queda começou no segundo em que apontou pra mim! QUERIA UM VILÃO? ENTÃO EU BATO NO PEITO! Eu assumo o controle e destruo o teu pleito! A dor virou pólvora, a vergonha ruiu, Teu teatro de santos... a marreta partiu! Vem tentar me quebrar, palhaço, vem pagar pra ver: O teu maior castigo... FOI EU APRENDER A VIVER! [Outro] [O beat vai diminuindo, arrastado, deixando apenas o som de um fósforo riscando] [Vocal baixo, sarcástico, rindo no canto da boca] Achou que eu ia apodrecer no canto da sala? [Pausa] Guarda o teu choro. A conta fechou. [SFX: Som seco de uma porta de ferro batendo] [Fim]


