(estrofe 1) O mundo não muda quando abro os olhos, muda o ângulo do meu perceber, o mesmo fato veste outros lençóis quando decido como vou ver. (estrofe 2) Nada nasce bom só por aparecer, nem mau por insistir em ficar, é o foco escolhido ao amanhecer que define o que vai me formar. (estrofe 3) Há beleza quieta no que é comum, há lição onde pensei haver ruína, meus olhos aprendem, um a um, a enxergar sentido na rotina. (refrão) Ajusto os olhos, não fujo da verdade, mudo o foco, não nego a dor, ver é escolha, não casualidade: olhar certo também é amor. (estrofe 4) Já vi espinhos antes de ver flor, já chamei de perda o que era semente, porque o olhar cansado, sem vigor, confunde o tempo com o presente. (estrofe 5) Quando o medo segura o meu ver, tudo parece maior que eu sou, mas basta a lente certa escolher pra lembrar quem decide sou eu. (estrofe 6) Não é o caos que governa a paisagem, nem a falha escreve o final, meu olhar define a mensagem que dou sentido ao real. (refrão) Ajusto os olhos, não fujo da verdade, mudo o foco, não nego a dor, ver é escolha, não casualidade: olhar certo também é amor. (estrofe 7) Há pessoas inteiras por trás do erro, há bondade mesmo em quem fere, quando o olhar não nasce do desespero, o humano aparece e resiste. (estrofe 8) Assim aprendo a ver devagar, sem vender esperança ao cansaço, quem escolhe como olhar reconstrói o mundo no passo. (ponte) Lamento os dias em que ceguei meu ver, quando deixei a sombra mandar, quando, por não querer ser alegre, ensinei outros a também não olhar. (refrão) Ajusto os olhos, não fujo da verdade, mudo o foco, não nego a dor, ver é escolha, não casualidade: olhar certo também é amor. (refrão final) Hoje eu me amo e afino meu olhar, escolho alegria sem me trair, sei que a tristeza vai me visitar, mas não governa meu modo de existir.