[Verse 1] Bem-vindo à Ambiguaria, Lugar sem linha nem reta, Onde santo vira vilão E a verdade se faz seta. Aqui o sim flerta com o não E o talvez assina o chão, As juras têm cláusula oculta, E a culpa dança em vão. [Pre-Chorus] Quem entra, perde a certeza, Quem sai, leva só suspeita, Nada é pleno, tudo pesa No silêncio da receita. [Chorus] Ambiguaria, esquina da moral Todo mundo tem razão, E ninguém é o final Ambiguaria, espelho embaçado Se a mentira te beija, É porque já foi jurado [Verse 2] Tem juiz que joga cartas E ladrão que faz sermão Poeta vendendo rimas De segunda intenção A placa da rua é reversa, Diz "Saída", mas dá nó E o relógio marca o tempo Que já passou, mas não foi só [Pre-Chorus] Cada riso vem com vírgula, Cada olhar tem meia luz, Aqui o amor se escreve Com tinta que não reluz. [Chorus] Ambiguaria, cidade sem lei Onde o certo é argumento E o errado já nem sei Ambiguaria, fronteira confusa Onde o vil se faz belo E a pureza... vira excusa [Bridge – instrumental dramático ou spoken/sussurrado] No bar da esquina, servem dúvidas no copo E a garçonete sussurra: "Você tem certeza... que quer saber?" [Final Chorus – mais lento, teatral] Ambiguaria, ninguém tem identidade Cada rosto é um disfarce, Cada dor, ambivalente verdade Ambiguaria... Saia se puder Mas leve um pouco de você, Que talvez nem saiba quem é


