
A xícara ainda está quente na mesa E o teu perfume insiste em ficar Não houve grito, nem houve surpresa Só o barulho da porta ao fechar. Eu procurei um erro, um motivo palpável Algo que o peito pudesse entender Mas esse adeus é um nó incapaz de dar nome É o medo de ter, sem saber como ser. Meus passos lá fora não sabem o rumo Minha mão ainda busca a tua na mão A gente se ama, eu sei, eu assumo Mas falta o idioma da nossa união. É estranho partir amando o caminho É absurdo dizer "acabou" sem saber Como se o excesso virasse um espinho E o nosso "nós" não pudesse mais crer. Sem razão, sem noção, sem porquê Um adeus que ninguém explicou O amor ainda mora aqui dentro Mas o entendimento já nos deixou. Dois mundos que orbitam sozinhos Num vácuo que o tempo criou A gente se perde em carinhos No vazio que o silêncio restou. Eu falo de planos, você ouve cobrança. Eu peço sossego, você vê distância. A gente se olha e se sente estrangeiro. Na mesma moldura, num quadro prisioneiro. Como explicar o fim do que nunca deixou de existir? Sem razão, sem noção, sem porquê Um adeus que ninguém explicou O amor ainda mora aqui dentro Mas o entendimento já nos deixou. Dois mundos que orbitam sozinhos Num vácuo que o tempo criou A gente se perde em carinhos No vazio que o silêncio restou. Simplesmente um adeus... Sem saber o porquê... O amor ficou guardado... onde a gente não consegue ver.

