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Mergulho do Casulo

V4.5-ALL

Texto de 03/11/2015 A borboleta, antes de adquirir as cores graciosas e a capacidade de voar livremente, foi antes uma pequena lagarta, rastejando pelo chão. Por mais árvores que subisse, tudo lhe parecia demasiado grande e assustador. Por mais que fugisse, a sua lentidão era desesperante e nunca parecia chegar a lugar algum. Cada obstáculo, por mais pequeno que fosse, era como uma montanha. Até que um dia decidiu parar. Escolheu um sítio seguro e mergulhou dentro si mesma. Passaram-se dias e noites em que nada parecia acontecer, até que um dia acordou, sentindo-se diferente. Mais leve, com novos membros, poderosa e colorida, saltou rumo ao desconhecido, mesmo sem saber que podia voar. A sensação foi desconcertante: podia agora ver a verdadeira dimensão dos obstáculos, lá do alto! Mas eis que vem o vento, e ela luta até ao limite das suas forças, sem sucesso. Novamente assustada, sente-se incapaz de lidar com tamanha força, até que vê outras borboletas deixando-se levar, alegre e descontraidamente, e decide fazer o mesmo. Viu locais de extrema beleza e conheceu outras como ela, que partilharam alegrias, medos e inseguranças. Um dia, em um dos seus voos, uma tempestade deitou-a ao chão, sem piedade. Desconcertada, sozinha, molhada e com frio, voltou a andar no solo, lentamente, pois suas asas encharcadas arrastavam agora pelo chão. Abrigou-se e adormeceu, sem esperança. Dias se passaram e a tempestade teimava em continuar, até que a borboleta olhou para o céu, que tanta felicidade já lhe tinha dado, e disse: 'Aqui estou eu, novamente, junto ao chão, onde tudo parece tão grande e difícil. Eu não tinha esperança nem sabia que a vida podia ser diferente... Mostraste-me o que é viver livre e feliz. Eu quero ser feliz novamente!' - e caiu, sem forças... Eis que acorda, com uma agradável sensação de calor... um raio de Sol aquecia o seu Coração, por entre as folhas. As suas asas tinham secado e a tempestade passado! Levantou-se, alegremente, mal podia esperar para levantar voo, novamente! Mas logo tropeça em algo e, olhando à sua volta vê outras borboletas moribundas... Ficou desolada... Olhou novamente para o céu e algo estava diferente em si. 'Eu ontem pedi! E tu deste-me. Não sei como, mas eu sei que tudo passa, já tive a prova! Quanto tempo brilharás agora, Sol? Isso eu não sei, mas vou aproveitar!' Apressadamente tentou acordar as outras borboletas. Uma atrás de outra tinham perdido as suas cores, e já não se mexiam. Ela continuou, e apesar de muitas não terem a coragem de se reerguer, outras tantas esvoaçaram livremente, com a consciência que mesmo que o Sol seja de pouca dura, toda a tempestade passa. E não vá alguma delas não passar, mais vale aproveitar já hoje para viver tudo...