
[Intro] [Verse 1] Caetano homenageou Torquato com a Cajuína no peito e no prato. Elvis brilhava no tempo da Brilhantina. O melhor de Chico ainda é Carolina. [Verse 2] Princesa Isabel, a mão que foi divina. Michelangelo no teto da Capela Sistina. Quarenta e cinco graus queimando Teresina. Mil novecentos e sessenta e oito: o ano que não termina. [Verse 3] Dante Alighieri e a Comédia Divina. Grandes mineiros no Clube da Esquina. Olheiro de malandro, pipa lá em cima. Bolo de pobre é gelatina, refri é tubaína. [Verse 4] Coração de jato vive na turbina. Quem salta no vazio busca a adrenalina. Ponte Hercílio Luz em Santa Catarina. Dor de amor se cura com cangibrina. [Verse 5] Chorão dançou até o fim com a cocaína. O coração pede trégua na aspirina. Dor grande demais pede morfina. Alga daninha vira microcistina. [Verse 6] Na prancha entra a parafina. No pé do peão, a botina. Ponto de puta e padaria é na esquina. Exame de rim: ureia e creatinina. [Verse 7] Água não sobe morro acima. Não tem carnaval sem confete e serpentina. A musa de Moreira da Silva é Vicentina. Ouro do tráfico pesa na carabina. [Verse 8] Do político corrupto escorre a propina. O padre se veste de batina. Felicidade explode em dopamina. Mecânico feliz é pátio cheio na oficina. [Outro] Miúdo que cresce não se reprima. No guarda-roupa ainda cheira a naftalina. Na hora do adeus, o suspiro termina.

