
O REVOLUCIONÁRIO FUMAÇA- (AUTORAL)|REDZIN #festivalcbr
[INTRO] Eu juro... Vou lutar pelos meus direitos Nem que eu tenha que morrer por isso Porque enquanto existir corrente... Vai existir revolução [VERSO 1] Do fundo do poço ao topo da rebelião Da dor nasceu a chama da revolução Nós que fomos tratados como animais Hoje fazemos reis tremerem nos jornais Quando eu passava fome, a esperança me guiou No navio negreiro, o ódio me moldou Pisado, humilhado, sem ter direito a nada Agora pergunta quem lidera a barricada? Me olham com desprezo só pela minha cor Isso alimenta ainda mais o meu rancor Eles não suportam enxergar Um negro sobrevivendo onde queriam me enterrar No topo eu virei praga Me chamam de Fumaça Cada corrente quebrada É mais uma alma salva Dou sangue pelo povo Meu nome virou símbolo Chefão inigualável Revolucionário legítimo Antes existiam milhares acorrentados Hoje eu vejo irmãos libertados Todos somos iguais nessa guerra maldita Mas eles têm medo quando a favela grita O talento nasce no lixo No meio da dor e da fome Porque quem sobrevive ao inferno Nunca mais aceita passar fome Então começou a operação E ninguém conseguiu parar Pra quem venceu a miséria Derrubar império é fácil demais Olha o desespero estampado na cara deles Enquanto os escravos quebram grades e correntes Eles gritam desesperados pela cidade: “FUMAÇA! FUMAÇA!” [REFRÃO] Da onde eu venho, o mundo era cinza A riqueza e o poder transformaram homens em cobiça Tratado como nada Humilhado, massacrado Roubaram minha família Mas não meu legado Ressurgi das cinzas Muito pior que antes Hoje eu lidero a revolta Contra falsos governantes Pode vir rei, exército ou império Eu sobrevivi ao inferno, isso aqui não é mistério Meu sorriso de vitória prova no final Que o impossível só assusta quem nasceu normal [VERSO 2] Barner, Ruth, escuta bem o plano Comanda os ataques, deixa o resto no meu comando Generais, engenhos, soldados e patrões Hoje vão conhecer o peso das revoluções Olha o deboche na cara do neguin soberano Quero ver racista me enfrentar sem tremer Preparar... apontar... fogo pra todo lado Depois da vitória nóis comemora o resultado Vieram cheios de orgulho e superioridade Mas caíram diante da nossa liberdade Não basta ser forte pra vencer essa guerra Tem que carregar cicatriz da miséria Comandante, eu virei teu pesadelo Tu não era o racista? Então por que esse medo? Tua raiva não me afeta Porque eu sobrevivi ao pior Hoje eu comando a revolta E o povo me chama de senhor Quem veio da pobreza entende a ambição Não era sobre fama, era sobrevivência e pão Os outros acreditaram que eu podia mudar Então calei o mundo inteiro pra revolucionar Protegendo os escravos Enquanto o sistema cai Teu império tá queimando E eu não volto atrás Cês odeiam o Fumaça? Então tenta me parar Porque enquanto existir corrente Eu vou continuar [REFRÃO FINAL] Da onde eu venho, o mundo era triste Mas a dor transformou o homem que resiste Humilhado, massacrado, tratado como ninguém Hoje o mesmo negro faz reis gritarem “amém” Me chamaram de escória Mas sobrevivi sozinho Agora lidero milhões Que trilham o mesmo caminho Pode vir todo o mundo Eu não vou recuar Porque quem venceu o inferno Não aprende mais a ajoelhar.

