
35 Flor Nirvanizada
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Flor nirvanizada Últimos Sonetos, de Cruz e Souza, 1905 "post mortem" ******* Ó cegos corações, surdos ouvidos, Bocas inúteis, sem clamor, fechadas, Almas para os mistérios apagadas, Sem segredos, sem eco e sem gemidos. Consciências hirsutas de bandidos, Vesgas, nefandas e desmanteladas, Portas de ferro, com furor trancadas, Dos ócios maus histéricos Vencidos. Desenterrai-vos das sangrentas furnas Sinistras, cabalísticas, noturnas Onde ruge o Pecado caudaloso... Fazei da Dor, do triste Gozo humano, A Flor do Sentimento soberano, A Flor nirvanizada de outro Gozo!

