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COMERCIALIZAÇÃO DO SAGRADO

V6-MINI

(estrofe 1) Há quem coloque etiquetas no mistério, e anuncie a salvação em promoção; faz do templo uma vitrine de império, e da esperança, uma negociação. (estrofe 2) Põe preço na oração, tarifa no consolo, vende mapas para o céu e proteção; quem chega aflito, procurando algum apoio, pode sair com mais dívidas na mão. (estrofe 3) A bênção vira prêmio de campanha, a oferta, um investimento a prosperar; e quem não tem dinheiro se acompanha do medo de não poder se abençoar. (estrofe 4) Há promessas embaladas com destreza, há milagres anunciados como um bem; mas nenhuma etiqueta mede a grandeza do amor que se oferece sem cobrar de alguém. (refrão) O sagrado não se vende em prestação, nem Deus atende conforme o pagamento; a fé não é balcão de transação, e o amor não tem tabela de rendimento. (estrofe 5) Simão quis comprar o dom sagrado, como quem compra o poder de uma função; Pedro rejeitou seu cálculo interessado: não se negocia o dom da salvação. (estrofe 6) Se a cura é anunciada como mercadoria, e a dor se converte em oportunidade, quem sofre pode comprar falsa garantia e carregar sozinho a própria adversidade. (estrofe 7) Não é pecado sustentar a comunidade, nem justo exigir que o templo viva do nada; o mal começa quando a necessidade vira fonte de riqueza disfarçada. (refrão) O sagrado não se vende em prestação, nem Deus atende conforme o pagamento; a fé não é balcão de transação, e o amor não tem tabela de rendimento. (estrofe 8) Há mãos que dão sem exigir recompensa, há mesas que acolhem sem perguntar valor; é nessa gratuidade que a fé se adensa, e o serviço vale mais que o ofertório. (estrofe 9) Que ninguém compre o fim da própria angústia, nem seja ameaçado por não contribuir; a fé não deve explorar a fragilidade, mas ajudar quem já cansou de resistir. (estrofe 10) Que o templo seja abrigo, não mercado, que a oferta seja livre, sem pressão; e que o dinheiro, quando administrado, sirva à vida — e não à exploração. (refrão) O sagrado não se vende em prestação, nem Deus atende conforme o pagamento; a fé não é balcão de transação, e o amor não tem tabela de rendimento.