Prédios cinzentos, céu de metal e fumo, Perdi a conta às vezes que perdi o rumo. Janelas fechadas escondem o que ninguém diz, Nesta cidade cega que não nos quer feliz. Escrevo o teu nome no cimento, no muro, no escuro, Tu és a única luz num futuro que eu juro Que vou conquistar, nem que o chão se desfaça, Onde o ódio é rotina e o amor é uma ameaça. Cada passo é um risco, cada esquina um perigo, Mas o meu único norte é estar aqui contigo. O horizonte foge, eu sinto o peso do chão, Carrego um farol partido na palma da mão. Rachaduras na alma que o tempo não cura, Sou a força de uma noite que é pura... Tensão e silêncio, fissuras no peito, Neste mundo quebrado onde nada é perfeito. Dizem que a dor é guia, que o caos é a ordem, Enquanto as vozes do medo cá dentro me mordem. Mas aprendi a ouvir o que o vento soprava: Que eu era o mar revolto... e tu a minha vaga. Entre as ruínas, eu vi-te brilhar, No meio do fogo, ensinei-te a voar. O mundo desaba, a gente segura, O nosso pecado é a nossa cura. (Repetição suave: o que a gente procura... é a nossa cura...) Vi o asfalto queimar com o peso do ontem. Vi as estrelas cair antes que as contem. A gente corre no escuro, sem mapa ou direção. Mas o bater do teu peito é a minha canção. Não mentes no olhar. Não mentes no toque. Somos o sismo que aguenta qualquer choque. O começo de tudo era o fim anunciado. O que resta de mim vive do teu lado. O tempo não para, o relógio é castigo. Mas o tempo congela se estou contigo. (Forte): O futuro é agora! O passado é presente! Somos a chama que brilha... eternamente! Onde o horizonte termina... Encontrei-te. Onde a luz nos ensina... Vi-te brilhar. Além do que o mundo vê... além do que o mundo crê... Eu encontro-me em ti.


