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O primeiro minuto da Criação

V4.5-ALL

Abdico, aqui e agora, desta vida Não como desistência Como não-conivência Não é apenas não estar de acordo É já não haver, mais, espaço para acordo É absurdo, o que sinto que existe Não tomar posse sobre o que penso que existe E que prende o Ser ao Ser Não tem cabimento Dar resposta ao paradoxo A tudo aquilo que a dualidade exige Quanto sabes que a Unidade liberta O que o esforço traz O amor rasga e desfaz Cada expectativa dual Cada ansiedade que se alimenta Do medo do desconhecido Cada movimento em função da escassez Traz de volta a não existência Tornou-se impossível sustentar o Eu O obsessivo eu Que se obcecou pela verdade E que a descobriu Apenas e só Em si mesmo Não seu Não meu Não teu Eu si Na espécie animal que vegeta Em torno da dúvida de pertença A espécie semeada Que desconhece que A planta, a flor, o fruto e a terra São em si mesmos Tal como nós Um Só Rasgo, neste exacto momento O meu não autorizado reconhecimento Do induzido aprisionamento A prisão do ser ao ser Tão subtil como um vaso estático Sujeito ao local Sujeito ao sujeito Sujeito ao isolamento Sujeito à companhia Pergunto e respondo ao campo Todas as soluções residem dentro Do observado que se tornou observador De si mesmo, nasceu a compaixão Por si mesmo, cessou a retaliação Nasceu novamente, mas sem repetição Imprevisível Abrupto Preciso Neutro Vazio das noções antigas De si mesmo e de tudo o resto Que também passou a si mesmo Sem saber que era impossível Ele foi lá e fez Usando o contentor da magia Como quem sabe o que antes não sabia Este é o primeiro minuto de toda a criação O AGORA