(estrofe 1) Nem toda alegria faz ruído, há paz que dispensa voz, quando o coração está resolvido o excesso já não chama por nós. (estrofe 2) Aprendi que estar bem não exige relatório, defesa ou sinal, o silêncio também corrige o vício do espetáculo emocional. (estrofe 3) Há dias em que tudo se aquieta, e isso não é solidão, é a alma madura e discreta descansando da explicação. (refrão) Há um silêncio que é alegria, não fuga, nem negação, é plenitude que habita o dia sem pedir validação. (estrofe 4) Quem precisa explicar demais a própria felicidade ainda negocia sinais com a insegurança da idade. (estrofe 5) O silêncio feliz é inteiro, não se deve, não se anuncia, é acordo íntimo e verdadeiro entre o ser e a alegria. (estrofe 6) Nem tudo o que é vivo fala, nem tudo o que é fundo se mostra, há alegria que simplesmente cala e ainda assim transborda. (refrão) Há um silêncio que é alegria, forte sem se impor, ele não grita poesia, ele é a própria flor. (estrofe 7) Nesse silêncio me reconheço sem precisar provar valor, sou suficiente no que sou e penso, sem palco, sem clamor. (estrofe 8) A alegria que não se explica não se perde na opinião, ela fica, simples, pacífica, ancorada no coração. (ponte) Lamento os tempos em que confundi alegria com aprovação, e por medo de não ser visto abandonei minha própria canção. (refrão) Há um silêncio que é alegria, que não depende do olhar alheio, ele permanece noite e dia como chão firme e cheio. (refrão final) Hoje eu me amo em silêncio também, alegre mesmo ao entristecer, não preciso explicar meu bem: decido viver — e isso é ser.