(estrofe 1) Hazor se ergue grande no relato de Josué, E contra ela se dirige o exército invasor; A cidade é tomada, conforme conta a própria fé, E o fogo transforma suas casas em calor. (estrofe 2) Josué queima Hazor depois de conquistá-la, E a fumaça permanece na memória do lugar; A narrativa não se limita a registrá-la, Mas diz que Deus mandara aquele povo avançar. (estrofe 3) Uma cidade queimada pode guardar lembrança De uma guerra antiga, de um reino derrotado; Mas quando a narrativa acrescenta uma aliança, O acontecimento passa a ser teologicamente interpretado. (estrofe 4) Assim, Hazor ganha um sentido além da história: Sua queda se transforma em cumprimento da missão; A destruição recebe uma moldura de glória, E a guerra passa a carregar aprovação. (refrão) A DESTRUIÇÃO DE HAZOR NÃO REVELA O DEUS DE JESUS, A cidade em chamas não mostra o Pai do Salvador; Jesus não apresenta Deus guiando exércitos à guerra, Nem faz da destruição de cidades sinal do amor. (estrofe 5) Uma memória de conflito pode sobreviver Mesmo quando já desapareceram seus antigos reis; Mas outra coisa é dizer que Deus fez acontecer Cada golpe que a espada produziu naquela vez. (estrofe 6) É possível que Hazor tenha conhecido violência, Que povos tenham disputado poder e posição; Mas transformar esse fato em divina sentença É acrescentar à lembrança uma interpretação. (estrofe 7) E quando o narrador diz que tudo foi ordenado, O leitor recebe mais que uma memória militar: Recebe um sentido religioso cuidadosamente elaborado, Que diz como aquele passado deveria significar. (refrão) A DESTRUIÇÃO DE HAZOR NÃO REVELA O DEUS DE JESUS, A cidade em chamas não mostra o Pai do Salvador; Jesus não apresenta Deus guiando exércitos à guerra, Nem faz da destruição de cidades sinal do amor. (estrofe 8) Jesus revela poder lavando pés cansados, E não queimando a casa de quem se tornou rival; Sua autoridade aparece servindo aos necessitados, Não fazendo da cidade destruída um altar. (estrofe 9) Quando Pedro empunha a espada para defendê-lo, Jesus manda guardar a arma e interrompe a ação; Não chama legiões celestiais para destruí-los, Mas aceita enfrentar a violência sem revidação. (estrofe 10) Por isso, Hazor permanece diante de mim: Uma história de guerra que exige discernimento; Posso reconhecer seu relato sem afirmar, enfim, Que toda sua interpretação revela o pensamento de Deus. (ponte) Quanto falhei por chamar de ordem eterna o que podia ser interpretação, Por não separar a lembrança da guerra do sentido que depois recebeu; Confundi o relato de um povo sobre seu passado com revelação, E atribuí ao Pai de Jesus aquilo que a própria história humana escreveu. (refrão) A DESTRUIÇÃO DE HAZOR NÃO REVELA O DEUS DE JESUS, O fogo de uma cidade não redefine o Deus de amor; A memória humana não pode ocupar o lugar de sua luz, E Jesus permanece o rosto verdadeiro do Senhor. (refrão final) Agora eu descanso em Jesus, Deus de perfeito amor, Nele reconheço o Pai que não precisa destruir para reinar; Nenhuma cidade em chamas muda o rosto do Senhor, E seu amor conosco jamais poderá se contradizer.