
Encontrei parte de mim no silêncio que doeu. E outra parte na palavra que ninguém escreveu. Carrego na voz o caminho, sem saber para onde vou. Mas sempre que canto… sinto que volto onde sou. Não peço que o mundo entenda as cicatrizes que se vêem. Só peço que o que me resta não me deixe perder quem sou também. É aqui… Onde eu me torno eu. Na nota que treme, no verso que arde, no que o peito não esqueceu. É aqui… onde a dor se faz céu. Quando a alma se rasga e mesmo assim canta… é onde eu me torno eu. Há quem viva pela força, há quem viva por ficar… Eu vivo pelo instante em que a voz me deixa respirar. Porque há verdade nas feridas que o tempo não apagou. E se o fado me chama assim… é porque nele eu me reencontro — e volto a ser quem sou. É aqui… Onde eu me torno eu. Quando o mundo se cala, e o peito fala… no som que Deus me deu. É aqui… onde a dor se fez céu. Se um dia me perder, procurem onde eu canto… é onde eu me torno eu. Onde… eu me… torno eu…

