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POÉTICA DA RUÍNA (ALIVE) (Remix)

V6

[Intro: Muffled distant hammer clangs, room tone, dry breathing close-mic] [Singer A: Brazilian Carioca spoken-singing, aggressive and deadpan, zero reverb] Fala, porra... tô aqui. Tô de pé nos escombros. Diz que é hoje. É hoje. Não é coragem, é falta de opção, caralho. Rasgar o peito pra ver se ainda tem fiação elétrica ali dentro. Essas visões... São fantasmas de prédios que eu nunca construí. O relógio não corre, ele arrasta. Tic-tac é o som da marreta na minha têmpora. Construir algo? Só se for o meu próprio abrigo antiaéreo... Porque o amanhã não chega, ele invade. Eu sinto o estalo nas juntas quando a verdade morde! O arrepio não é vida, é o curto-circuito do sistema! Tô vivo? Tô. Mas é aquela vida de quem acabou de sair de um soterramento. Onde o pulmão ainda cospe poeira... E o gosto é de ferro e perda. [Transition: Hard cut, absolute digital silence for 2 seconds] [Instrumental: Slow intimate 6/8 resonator guitar fingerpicking] [Singer B: Breathy velvet male tenor, wide plate reverb, melancholic slow jam] Oh, my ghost... Old friend of mine... The ash has dried... I stopped reaching for you... Still you keep me a-liiiive... I'm so sick of starving... Starving for a spark... I know the truth, but what am I to do? I need some air to breathe... So leave me the dark. Oh, my ghost... You turned your chest to stone... 'Cause since you went cold... I've never felt so alone... Still you keep me alive. [Interlude: Faint heartbeat, distant metallic vibration] [Singer A: Dry whisper, exhausted irony] Três filhas da Morte. Eu flertei com as três. Uma me ensinou a desaparecer. Outra, a procurar alívio na madrugada. A terceira me mandou aguentar calado. [Pause] E eu obedeci às três, porra. Até não saber mais qual daqueles fantasmas era meu. [Singer A: Talk-sing returns, melodic slow jam, cold cynicism, bitter exhaustion] Eu ia chorar, mas o sal ia enferrujar a estrutura. Engulo o choro e sinto o gosto de concreto líquido. Vem ver o fogo que eu atravessei sem usar porra de bota nenhuma. A solidão não é um vazio, é uma laje de duas toneladas no meu peito. Eu achei que era o fantasma de tudo que eu precisava ser. Decente demais pra reclamar. Decadente demais pra ser aceito. Digno demais pra pedir socorro. [Pause] Vou seguir, mas não é por força. É por inércia. Vou carregar essa dor... como quem carrega a viga-mestra. Vou... Erguer essa porra de novo. [Transition: Sul ponticello cello scraping, tense crescendo] [Singer B: Passionate high tenor belt, raw emotional chest resonance] I'm so sick of starving! Starving for a spark! I know we'll turn into dust... Just let me burn till the dawn! Still you keep me alive... So raw... A-liiiive... [Sustained high note fading into room reverb] Alive... Alive... Alive... [Outro: Single resonant acoustic strum, decaying sub-bass hum] [Singer A: Almost inaudible, dry close-mic] Ainda tem alguém aqui. [Sudden stop] [End]