
(estrofe 1) No horizonte seco se estende o chão, Um mar de areia sem voz nem rumor, Mas sob o silêncio que parece em vão Respira escondida a raiz do vigor. (estrofe 2) O sol derrama seu ouro ardente, As dunas deslizam em lenta canção, E o vento desenha, paciente e presente, Novos caminhos na imensidão. (estrofe 3) Parece vazio aos olhos cansados, Como página branca que nada escreveu, Mas segredos profundos ali são guardados Pela vida que o tempo teceu. (estrofe 4) Sob a areia dormem sementes discretas, Esperando a chuva voltar a cair, Pois mesmo nos campos mais austeros e quietos A esperança aprende a persistir. (refrão) Ó deserto vasto de calma severa, Que escondes no pó silencioso vigor, Ensinas que a vida floresce na espera E guarda no fundo sua própria cor. (estrofe 5) Lagartos percorrem o chão abrasado, Cactos levantam seus braços ao céu, Cada criatura que ali foi moldada Aprendeu com o tempo a vencer o papel. (estrofe 6) A noite derrama seu manto profundo, E estrelas cintilam no teto do ar, Como se o deserto mostrasse ao mundo Que até no vazio há luz a brilhar. (estrofe 7) O viajante cansado que ali atravessa Aprende no pó uma nova lição, Que a alma também cresce na travessia espessa Das terras secas do coração. (refrão) Ó deserto vasto de calma severa, Que escondes no pó silencioso vigor, Ensinas que a vida floresce na espera E guarda no fundo sua própria cor. (estrofe 8) Dunas se erguem como mares parados, Guardando histórias do vento que vem, E o tempo escreve em seus traços dourados Caminhos que ninguém vê além. (estrofe 9) Mesmo distante de rios correntes, A vida insiste em permanecer, Pois raízes profundas e almas valentes Aprendem na seca a sobreviver. (estrofe 10) Assim também o coração humano Às vezes atravessa regiões sem flor, Mas no deserto escondido do plano Pode nascer nova força interior. (refrão) Ó deserto vasto de calma severa, Que escondes no pó silencioso vigor, Ensinas que a vida floresce na espera E guarda no fundo sua própria cor.

