Estrofe 1 Fui doutrinado num templo de temor, Onde o trovão era voz de mandamento, Jeová, em fúria, brandia o terror, E o castigo era o fim do pensamento. Estrofe 2 Falava-se em guerras, em fogo, em espada, Em honra lavada no sangue alheio. A fé marchava, cerrada e armada, Sob o estandarte de um santo anseio. Estrofe 3 Mas, aos poucos, a cruz me interrogava, Pois nela não vi cetro, nem vingança. Era amor que, de braços, se entregava, E o olhar do Cristo trazia esperança. REFRÃO Oh Deus que, em silêncio, se revelou, Entre os fracos, feridos e vencidos, Teu amor, que da guerra me salvou, Fez cair meus escudos erguidos. Estrofe 4 Já não combato com versos da lei, Nem invoco maldição sobre os maus. Prefiro a graça que outrora neguei Por querer justiça igual à dos tribunais. Estrofe 5 Vi que Jesus não matava inimigos, Mas os chamava à mesa do perdão. Rasgava os muros, rompia castigos, E curava ao toque da compaixão. Estrofe 6 O Deus da guerra em mim silenciou, Deu lugar ao Servo que lava pés. Meu coração, que antes endureceu, Aprendeu o caminho da altivez. REFRÃO Oh Deus que, em silêncio, se revelou, Entre os fracos, feridos e vencidos, Teu amor, que da guerra me salvou, Fez cair meus escudos erguidos. Estrofe 7 Fiz as pazes com minha consciência, Pois seguir Jesus é desobedecer À vingança vestida de reverência, E amar, quando o mundo quer ferver. Estrofe 8 Entre Jeová e Jesus, caminhei. Mas foi o Cristo quem me salvou da ira. Na ternura da cruz, compreendi Que o amor é a única justiça que inspira. PONTE Sou grato a quem me ensinou a temer, Pois a reverência foi minha semente. Mas bendigo quem ousou me dizer Que amar é o dom mais coerente. REFRÃO Oh Deus que, em silêncio, se revelou, Entre os fracos, feridos e vencidos, Teu amor, que da guerra me salvou, Fez cair meus escudos erguidos. REFRÃO FINAL E sou feliz por crer no Deus que abraça, Que vence o ódio sem ferir ninguém. Seu amor, que a lógica ultrapassa, É luz que se espalha e sempre vem.