[INSTRUMENTAL] No relógio da parede O tempo parou Desde a última sirene Que ninguém escutou Seu João limpa a prensa Com esmero e suor Faz 40 invernos Que ele espera algo melhor [Pré-Refrão] Mas as linhas de montagem Só produzem solidão E os olhos dos colegas Brilham em contradição [Refrão] Pólvora, granada, azida e projétil Num mundo que não quer mais ver a guerra no papel Mas aqui dentro, a paz parece traição em uma fábrica em extinção As paredes têm memórias De explosões de ensaio De jovens operários Que sumiram sem atalho Mas ali entre engrenagens Ainda mora o orgulho De saber que o seu trabalho Um dia foi barulho [Pré-Refrão] Mas as granadas se calaram, ninguém mais quer lutar Essa fábrica é um teatro Sem ninguém pra julgar [Refrão] Pólvora, granada, azida e projétil Num mundo que não quer mais ver a guerra no papel Mas aqui dentro, a paz parece traição em uma fábrica em extinção Lá fora o mato cresce Por cima do portão E as máquinas dormem Num silêncio de prisão O velho acende um cigarro Com mãos que já tremem E pergunta pra ninguém: "Será que eles nos esquecem?" [INSTRUMENTAL INTERLUDE] [Refrão] Pólvora, granada, azida e projétil Fragmentos de um tempo que já não é mais cruel E no fim, tudo vira poeira no chão menos a rotineira contradição [end]