Eu quero fazer o que é belo,
ainda que o mundo passe distraído. Eu quero escrever o verso vivo,
mesmo que o silêncio seja o único leitor. Eu quero ser brisa no fim da tarde,
tocando janelas que nunca se abrem. Eu quero ser indulgência e gesto,
ainda que ninguém peça abrigo. Eu quero cantar a nota que acalma,
mesmo que ecoe só dentro de mim. Eu quero viver o peso das palavras
quando descem do papel para o chão da vida,
mesmo pequenas, mesmo invisíveis. Eu quero ser livre por dentro,
mesmo que o preço
seja perder as formas conhecidas
do que chamam liberdade.