“Ah. Então é isso que você faz. Você não mata. Você apaga. Você acredita que, se consumir o nome, consome o ser. Que se ninguém lembrar… nunca existiu.” (A aura psíquica aperta. Ecos tentam tocar seu Nome Verdadeiro.) “Mas você comete um erro, criatura faminta. Eu não sou apenas um nome. Eu sou Cyrak, o Conquistador — o eco nas cortes douradas, o sussurro que antecede rebeliões, o verso que fez reis ajoelharem e amantes se levantarem. Meu nome não é uma palavra. É um refrão.” (As sombras ondulam. O Devorador tenta pronunciar “Cyrak” — mas a palavra se desdobra em música.) “Você quer me devorar? Então escute.” “Eu fui cantado em sete idiomas antes dos quinze anos. Fui expulso de três reinos por dizer a verdade em métrica perfeita. Fiz generais chorarem. Fiz tiranos hesitarem. Fiz o silêncio se curvar.” “Meu nome não é um rótulo. É uma história em andamento.” (A pressão mental aumenta. O monstro tenta comprimir o conceito. Cyrak abre os braços.) “Venha, então! Tente compreender minha glória! Tente reduzir a uma sílaba o aplauso de mil auditórios! Tente engolir a nota que sustentarei até que seus próprios ecos implorem por misericórdia!” (Ele inspira profundamente — e canta. Não uma melodia suave, mas um Réquiem Operático, vibrante, grandioso demais para caber em pensamento linear.) “Você devora o que é simples. O que é isolado. O que pode ser contido. Mas eu…” “Eu sou excesso.” “Sou hipérbole encarnada. Sou metáfora ambulante. Sou a vírgula que impede o fim da frase.” “Tente me nomear — e verá que meu nome se multiplica.” (O Devorador tenta fixar o conceito de Cyrak. Mas cada tentativa gera mais camadas: o artista, o provocador, o herói relutante, o amante, o traidor redimido, o mito em formação.) “Você só entende ausência. Eu sou presença. Você é silêncio. Eu sou o aplauso.” (A aura começa a vibrar irregularmente — sobrecarga conceitual.) “E enquanto você tenta me compreender… você deixa de perceber o homem que não pode ser lido.” (O canto sobe — uma nota longa, impossível.) “Porque enquanto eu brilho — ele não existe para você.”