Estrofe 1 Em Teixeira, vi ruir a armadura Do Deus que veste a cor do opressor. Lá compreendi: há fé que é censura, E há doutrina moldada ao dominador. Estrofe 2 Foi ali que o altar perdeu seu véu, E vi o Cristo, sem dogma e sem coroa. Descobri que o trono é mais fiel Ao servo que não busca a vida boa. Estrofe 3 Abandonei discursos confortáveis, Onde o céu legitima desigualdade. Percebi que os textos inflexíveis Servem mais ao império que à verdade. REFRÃO Senhor dos pobres, Deus que se agacha, Foste em silêncio a minha rebelião. Tua justiça em mim rompe a carcaça Das velhas teologias da opressão. Estrofe 4 Ressurretas surgiram minhas dúvidas, Tombaram as certezas anglo-cristas. A cruz não é patente de estruturas, Mas denúncia das forças tão letais. Estrofe 5 Teologias de mercado e conveniência Bendizem o lucro, negam compaixão. Mas Teu amor não pactua com violência, Nem com bênção comprada à prestação. Estrofe 6 Vi que a missão virou colônia, E que o altar servia ao capital. Mas Teu Reino é revolta sem vergonha Do que insiste em parecer normal. REFRÃO Senhor dos pobres, Deus que se agacha, Foste em silêncio a minha rebelião. Tua justiça em mim rompe a carcaça Das velhas teologias da opressão. Estrofe 7 Rasguei, com dor, as vestes do fariseu Que em mim morava sem me interrogar. Agora, sigo nu diante do Teu Evangelho que me chama a escutar. Estrofe 8 Teixeira me ensinou que questionar É parte da liturgia mais sincera. Hoje, pastoreio sem negociar O Jesus que ainda expulsa os da esfera. PONTE Louvo os mestres, mesmo sem saber, Que ao me calarem, mais me despertaram. Na censura, pude renascer Para um Cristo que os fracos libertaram. REFRÃO Senhor dos pobres, Deus que se agacha, Foste em silêncio a minha rebelião. Tua justiça em mim rompe a carcaça Das velhas teologias da opressão. REFRÃO FINAL Feliz sou, pois em Ti meu ser repousa, E mesmo entre ruínas sei Te amar. Teu amor é a verdade mais lousa Que jamais se permite escravizar.