
(estrofe 1) Não espero a noite cair para aprender a acender luz, há reservas feitas no sorrir quando o dia ainda reluz. (estrofe 2) Minha alegria não é impulso, é colheita bem planejada, guardo calor no pulso antes da estrada gelada. (estrofe 3) Quem só canta no verão confunde sol com verdade, eu treino o coração para a longa adversidade. (refrão) Minha alegria é provisão, não foge quando escurecer, é lume firme na estação em que parece não haver. (estrofe 4) Aprendi com árvores antigas a guardar seiva no tronco, não exibem folhas bonitas quando o frio pede silêncio e fundo. (estrofe 5) A alegria que me prepara não nega a tempestade, ela apenas declara que não dependo da claridade. (estrofe 6) Quando o inverno chega enfim, não me encontra desprevenido, há um sim guardado em mim para os dias de chão ferido. (refrão) Minha alegria é provisão, reserva contra o desamparo, não se vende à escuridão nem se dissolve no amargo. (estrofe 7) O frio testa convicções, revela o que era aparência, mas quem cuidou das estações atravessa com resistência. (estrofe 8) Não me orgulho do que sofri, nem romantizo a dor, apenas sei que escolhi não deixar morrer o amor. (ponte) Lamento os tempos em que ignorei o preparo do coração, e no primeiro frio abandonei a alegria como decisão. (refrão) Minha alegria é provisão, memória viva do calor, ela sustenta a direção quando o dia perde cor. (refrão final) Hoje eu me amo com lucidez, alegre mesmo ao entristecer, sei que o inverno tem sua vez, mas decido viver — e viver bem.

