(estrofe 1) Não expulso a tristeza quando chega, dou-lhe assento, não dou o trono, ela fala, mas não governa, não confundo passagem com abandono. (estrofe 2) Há dias em que o peito escurece, e o passo pede menos chão, isso não nega o que me fortalece, apenas pede mais atenção. (estrofe 3) Entristecer não é traição à decisão que fiz por viver, é só pausa do coração aprendendo outro jeito de ser. (refrão) Eu posso entristecer sem desistir, posso chorar sem me perder, a alegria continua ali mesmo quando não sei a ver. (estrofe 4) Tristeza não é inimiga, é mensageira do que importou, ela revela onde a vida tocou fundo e marcou. (estrofe 5) Quem nunca acolheu a própria dor transforma alegria em fuga, mas quem a recebe com pudor descobre uma força mais justa. (estrofe 6) Acolho a tristeza sem pressa, sem culpa, sem teatralidade, ela não quebra minha promessa de viver com dignidade. (refrão) Eu posso entristecer sem desistir, sem rasgar minha decisão, a alegria não precisa fugir para provar convicção. (estrofe 7) A tristeza aceita não se eterniza, porque não é combatida à força, ela se dissolve quando é vista e não quando é expulsa. (estrofe 8) Assim aprendo, pouco a pouco, que ser alegre não é negar, é sustentar, mesmo no sufoco, o desejo de continuar. (ponte) Lamento os dias em que, ferido, abandonei a escolha por medo, confundindo tristeza sentida com desistência de ser inteiro. (refrão) Eu posso entristecer sem desistir, sem quebrar meu compromisso vital, a alegria sabe resistir sem virar máscara artificial. (refrão final) Hoje eu me amo quando entristeço, sem me punir, sem me trair, aceito a dor como processo e ainda assim escolho ser feliz.