
(estrofe 1) Ser luz do mundo exige alma aberta ao outro, Não basta existir num brilho que só vê a própria vez; Quem vive só de si constrói muros em seu corpo, E perde a chance de ser ponte onde o amor talvez. (estrofe 2) O bem comum floresce quando a gente reparte, Quando a vida é mais que um espelho de solidão; E cada gesto é campo onde a ternura toma parte, Fazendo do simples dia um jardim de compaixão. (estrofe 3) Mas quem se fecha em si transforma o mundo em inverno, Gela o afeto, seca a fonte e escurece a direção; A luz se apaga lenta, num silêncio quase eterno, Tornando a cidade um deserto sem coração. (refrão) Ser luz é acender o outro, é aquecer o caminhar, É fazer do meu pequeno o bastante para iluminar; Pois viver só para si é perder metade do céu, E rasgar do mundo o brilho que Deus nos deu como véu. (estrofe 4) Há quem ande sem olhar o irmão que jaz caído, Como quem teme perder tempo com a dor alheia; Mas quem ama enxerga longe, vê o pobre esquecido, E entende que humanidade é ser mão que semeia. (estrofe 5) O ego brilha falso, luz que dura quase nada, É chama que se dobra ao vento do próprio querer; Mas a luz que serve ao mundo é a estrela derramada, Que mesmo na noite escura insiste em renascer. (refrão) Ser luz é acender o outro, é aquecer o caminhar, É fazer do meu pequeno o bastante para iluminar; Pois viver só para si é perder metade do céu, E rasgar do mundo o brilho que Deus nos deu como véu. (estrofe 6) Viver o bem coletivo é enxergar que o mundo é uno, Que a dor de alguém respinga em nós, como chuva no mar; É ser farol discreto, porém firme e oportuno, Que não brilha por vaidade, mas por querer cuidar. (estrofe 7) Luz não nasce para si, nasce para além da frente, É vocação que se entrega e nunca se consome; Pois quem reparte o brilho vira abrigo permanente, E transforma o anonimato em casa onde Deus se nome. (refrão) Ser luz é acender o outro, é aquecer o caminhar, É fazer do meu pequeno o bastante para iluminar; Pois viver só para si é perder metade do céu, E rasgar do mundo o brilho que Deus nos deu como véu.

