
Não Voltes Atrás
[Intro] Hoje o vento treme Como se a terra soubesse o que vem As nuvens contam segredos antigos Que já deviam ficar em ninguém [Verse 1] Cinquenta primaveras numa só flor Cravo vermelho na mão cansada Um miúdo de quarenta e três outonos Brinca com fósforos à beira da casa Vendem-lhe sombras em ecrãs brilhantes Boatos vestidos de fatos baratos Puxa a história pelo cabelo Tenta pô-la de joelhos no quarto [Chorus] Não voltes atrás Não rebobines o sangue nas ruas Não troques o céu aberto Pelas janelas com grades escuras A memória é o nosso farol no cais Mesmo à chuva Mesmo ao sal Não voltes Não voltes atrás Ao quarto sem porta E ao medo como lençol [Verse 2] Onze dias de tempestade na rádio Relâmpagos feitos de gritos e riso Cada mentira cai como granizo No campo frágil do juízo Vês? já há muros a crescer nas frases Já há dedos a apontar vizinhos É assim que a noite entra em casa Primeiro pelas fechaduras De mansinho [Chorus] Não voltes atrás Não rebobines o sangue nas ruas Não troques o céu aberto Pelas janelas com grades escuras A memória é o nosso farol no cais Mesmo à chuva Mesmo ao sal Não voltes Não voltes atrás Ao quarto sem porta E ao medo como lençol [Bridge] Lembras-te do silêncio que gritava? Da palavra contada a medo A meias? Das cadeiras vazias à mesa Porque alguém falou demais nas aldeias? A liberdade é um vidro fino Onde pousamos a respiração Basta um punho Basta um grito Para o partir em confusão Mas também basta uma mão aberta Uma voz firme Um passo a pé Para segurar esse vidro inteiro Enquanto o mundo esquece o que é [Chorus] Não voltes atrás Não rebobines o sangue nas ruas Não troques o céu aberto Pelas janelas com grades escuras A memória é o nosso farol no cais Mesmo à chuva Mesmo ao sal Não voltes Não voltes atrás Ao quarto sem porta E ao medo como lençol [Outro] Hoje o vento treme Mas há cravos a nascer na tempestade Cada voto é um ramo de futuro Cada passo em frente É um “basta” à saudade da grade

