
[Verse 1] No bloco, "A", mora um Ministro, No B, um general O síndico é presidente Mas só fala por sinal O interfone tá sem linha Desde o golpe anterior E o porteiro foi trocado Por um drone fiscalizador [Pre-Chorus] Na guarita tem vidros escuros E o jardim só enxerga pra dentro O povo buzina no portão Mas nunca é recebido no centro [Chorus] Condomínio Brasília, cercado de silêncio e poder Onde o povo vê de longe Mas ninguém consegue ver Condomínio Brasília, terra de vidro e concreto Onde a promessa é bonita E o aperto de mão... é indireto [Verse 2] Tem regra até pra passarinho Que ousa pousar na Esplanada Cada árvore tem crachá E até o vento tem jornada A piscina é de discursos Mas ninguém mergulha em verdade E o elevador social Só sobe quem traz estabilidade [Pre-Chorus] Na portaria da esperança Tem fila sem protocolo E se alguém grita por justiça Recebe "nota de repúdio" no colo [Chorus] Condomínio Brasília, onde o povo bate e não entra Cada bloco tem blindagem E um sorriso de fachada cinzenta Condomínio Brasília, capital sem vizinhança Onde o povo é visto na urna E esquecido na mudança [Bridge – instrumental com tensão] O interfone tocou. Ninguém atendeu. Era o Brasil... Tentando falar com o seu. [Final Chorus – mais emocional] Condomínio Brasília, onde até a dor é formal Cada lágrima vira ofício Encaminhado ao nada central Condomínio Brasília, sonho em zona restrita Aqui, a verdade se perde Na ata da reunião bendita.

