
Abrigo celeste Últimos Sonetos, de Cruz e Souza, 1905 "post mortem" ******* Estrela triste a refletir na lama, Raio de luz a cintilar na poeira, Tens a graça sutil e feiticeira, A doçura das curvas e da chama. Do teu olhar um fluido se derrama De tão suave, cândida maneira Que és a sagrada pomba alvissareira Que para o Amor toda a minh’alma chama. Meu ser anseia por teu doce apoio, Nos outros seres só encontra joio Mas só no teu todo o divino trigo. Sou como um cego sem bordão de arrimo Que do teu ser, tateando, me aproximo Como de um céu de carinhoso abrigo

