
Ninguém aplaude... Quando um camionista chega a casa às três da manhã. Não há fotógrafos. Não há notícias. Só uma chave a rodar devagar para não acordar os filhos. Ninguém aplaude... Quando um motard para na berma para ajudar alguém que nunca viu na vida. Porque há gestos que nascem do coração... e não da necessidade de serem vistos. Ninguém aplaude... Quando um homem de boina vermelha guarda para sempre o peso das missões que nunca poderá contar. Há batalhas que acabam. E há outras... Que continuam dentro de nós. Vivemos num mundo que conhece o preço de quase tudo... Mas já se esqueceu do valor de um aperto de mão. Do valor de cumprir a palavra. Do valor de voltar para casa. Talvez por isso... Ainda existam homens que escolhem caminhos difíceis. Não porque sejam mais fortes. Mas porque alguém tem de os percorrer. Se um dia te cruzares connosco... Não perguntes para onde vamos. Pergunta antes... Quem estaria hoje sem comida... quem não receberia o abraço de quem ama... e quem perderia a esperança... se nós decidíssemos parar. Porque há profissões... E depois... Há missões que nunca acabam.

