Song Cover Image

Busca Oblíqua

V4.5-ALL

soltas as asas negras, que voam na esperança do resgate dos passos perdidos , e que deixados ao acaso, deixaste por viver. preparas a dança diária, dançando em formas de linhas rectas, desprovidas de ousadia, embora reconheças em ti, a ânsia da bisca oblíqua, que te reservaria pelo menos mais um dia. juras que as horas foram contadas a acalmar os medos que te protegiam, mas deixas que a ansiedade te abrace, quando percebes que a luz surgiu no túnel, outrora demasiado pequeno no espaço e hoje excessivamente grande no tempo. enlouqueces, quando percebes que infinitos braços terás que contar para medir toda a amplitude que separa o meu abraço. gritas que sufocas quando tão somente os meus beijos te respiram e podes-me que volte noutro dia. num dia que a dor não te carregue por inteiro, julgando tu, poder doer menos a dor por metade. e lanças o corpo num trémulo rodopio que esgota a sensação que já tive de ti e que em movimentos bruscos, me abranda o desejo e exalta a saudade. é acaso profundo, saberes medir a luta incessante que fui perdendo, ao tentar dar-te de beber o ar, que muitas vezes negaste ou tão somente não puseste saborear. decifras metodicamente, de entre tantas palavras, aquelas que mais te aprazem o ego escondido, reduzindo em resquícios, o que na verdade asilado está no intocável de mim, naquele que ousad afirmar certezas absolutas adquiridas, dos abraços prolongados, certo que as tuas dúvidas foram aí confirmadas. não te quero perder - gritei tantas vezes da janela que nos separava - não te quero perder. mas tu já tinhas prometido que a perda já se dera, já me tinhas jurado que não podias mais suportar a ausência do aconchego do peso que nos foi retirado. e confessaste-o vezes sem conta, horas sem fim, retirando ao sonho a perplexidade que ele já tinha adquirido, quando percebeu que havia sido realidade. e disseste-me que não podias desperdiçar mais um dia, tinhas muito mais que fazer e muitos mais planos para adormecer. e eu adormeci a olhar para mim!