
(estrofe 1) Diante do pó do templo, ergueram acusação, Sem prova, sem palavra, só peso e suspeição, E o corpo de uma mulher virou campo de provar, O que ninguém podia, de fato, confirmar. (estrofe 2) Misturaram água e medo num rito a se cumprir, Como se o Teu silêncio fosse pronto a decidir, E eu pensei por tanto tempo que era Tua direção, Quando era só costume travestido de unção. (estrofe 3) Não havia para o homem o mesmo rigor imposto, Só ela carregava a dúvida no rosto, E a lei que se dizia vinda do alto e do além, Pesava só sobre ela, não sobre mais ninguém. (estrofe 4) Que justiça é essa que escolhe um só sofrer? Que verdade é essa que não deixa ambos responder? E ainda assim Te chamaram para legitimar, Aquilo que o amor jamais iria aceitar. (refrão) Perdão Senhor, não és o juiz da humilhação, Que expõe a mulher à dor da acusação, Em Jesus Cristo vejo o gesto que vem libertar, Teu Reino é dignidade, é restaurar, é amar. (estrofe 5) Mas um dia vi um Mestre diante de outra cena, Uma mulher cercada por condenação pequena, E ao invés de impor-lhe mais um ritual de dor, Ele silenciou o ódio e respondeu com amor. (estrofe 6) “Quem não tem pecado, atire a primeira mão”, E o chão virou espelho da própria acusação, Pois todos se retiraram, sem coragem de julgar, E a mulher encontrou um novo jeito de existir e caminhar. (estrofe 7) Ali compreendi que o Teu olhar não oprime, Não cria tribunais onde a graça se reprime, Mas quebra toda lógica de culpa e punição, E escreve nova história no lugar da condenação. (refrão) Perdão Senhor, não és o juiz da humilhação, Que expõe a mulher à dor da acusação, Em Jesus Cristo vejo o gesto que vem libertar, Teu Reino é dignidade, é restaurar, é amar. (estrofe 8) Quantas vozes ainda repetem aquele antigo rito, Sem perceber que nele há silêncio e conflito, Pois não vem de Ti o peso que faz alguém calar, Mas do medo humano de não saber confiar. (estrofe 9) Teu amor não precisa de provas impostas, Nem de ritos duros, nem de respostas tortas, Pois conhece o íntimo sem ferir nem expor, E conduz cada vida no caminho do amor. (estrofe 10) Hoje vejo mais claro o erro que defendi, Ao chamar de divino o que não vinha de Ti, Mas agora me abro ao Teu modo de agir, Que não acusa ninguém, mas faz recomeçar e florir. (ponte) Eu Te traí quando aceitei julgamentos sem voz, Quando ignorei injustiças que gritavam entre nós, Quando confundi controle com direção espiritual, E deixei de ver que o amor jamais é desigual. (refrão) Perdão Senhor, não és o juiz da humilhação, Que expõe a mulher à dor da acusação, Em Jesus Cristo vejo o gesto que vem libertar, Teu Reino é dignidade, é restaurar, é amar. (refrão final) Hoje me acolho inteiro, sem medo de existir, Mesmo quando a dor insiste em me seguir, Aprendo com a vida a leveza de aceitar, Que ser feliz também é saber se amar. (refrão final) Descanso em Ti, Jesus, presença que conduz, Teu amor não muda, não se apaga na cruz, Jamais serias fonte de dor ou opressão, És Deus que liberta, és pura compaixão.

