
(estrofe 1) Não nasce do acaso nem da euforia, não grita, não pede atenção, a alegria aprende a rotina do dia e se instala em discreta decisão. (estrofe 2) É passo firme que não corre atrás do aplauso fácil ou do brilho breve, permanece quando o mundo se desfaz e ensina o coração a ser leve. (estrofe 3) Enquanto tudo exige reação, ela escolhe constância e cuidado, não depende do clima da estação, mas do treino do ser acordado. (refrão) Alegria é prática, não emoção, é disciplina do olhar e do chão, permaneço leve por convicção: não cedo meu centro à oscilação. (estrofe 4) Há dias em que o peso chama alto, quer sentar-se no trono do peito, mas a leveza responde sem sobressalto com silêncio maduro e direito. (estrofe 5) Não se trata de rir sem razão, nem vestir luz por obrigação, é escolher, na exata tensão, não carregar mais do que cabe na mão. (estrofe 6) Como músculo que aprende o limite, a alegria cresce no repetir, cada gesto fiel acredite ensina a alma a persistir. (refrão) Alegria é prática, não emoção, é disciplina do olhar e do chão, permaneço leve por convicção: não cedo meu centro à oscilação. (estrofe 7) A constância não chama atenção, mas sustenta o que não cai, é ela quem segura a canção quando a esperança quase sai. (estrofe 8) Assim sigo sem espetáculo algum, livre da pressa de parecer, pois ser leve, mesmo incomum, é trabalho diário do viver. (ponte) Lamento os dias em que abandonei esse treino simples e essencial, quando, cansado, também pesei o mundo com meu desalento pessoal. (refrão) Alegria é prática, não emoção, é disciplina do olhar e do chão, permaneço leve por convicção: não cedo meu centro à oscilação. (refrão final) Hoje eu me amo e escolho continuar, leve por dentro, mesmo ao sofrer, sei que a tristeza vai me visitar, mas não governa meu modo de ser.

