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SEM PERMISSÃO

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V4.5-ALL

Estou cansada desta luta, de vestir a armadura, De fingir que sou de ferro enquanto a vida é dura. Visto força de manhã, mas a rotina é crua, Escondo cicatrizes enquanto caminho na rua. São as marcas da poesia que ninguém quer ler, É o peso de ser forte sem saber porquê. As lágrimas teimam, elas não querem saber, Desobedecem à razão, só me fazem sofrer. Molham o chão da alma, sufocam o coração, É uma dor que se apodera... sem permissão! Só me apetece fugir, perder-me na estrada, Ser um vulto na neblina, não ser mais nada. Fugir de tudo, fugir até de mim, Num lugar qualquer, num lugar sem fim. Mas que tremor é este? No centro da solidão, Um grito mudo que me aperta a garganta com a mão. É o caos que persiste, é a noite que insiste, À procura de um motivo para não estar tão triste. Mas olha só... no meio do entulho e do breu, Ainda resta um fio de esperança que é só meu. A escuridão é densa, mas não me vai extinguir, Eu sei que, no final, eu ainda vou sorrir. Sem permissão... ela entrou no meu peito. Sem permissão... tirou-me o sossego e o jeito. Mas eu sou a autora, eu escrevo o final, Vou transformar o veneno no meu próprio cristal. Molham o chão da alma, sufocam o coração, É uma dor que se apodera... sem permissão! Só me apetece fugir, perder-me na estrada, Ser um vulto na neblina, não ser mais nada. Sem permissão... Mas a esperança ainda existe. Eu vou sorrir... Eu vou sorrir.