TRAPEZISTA Um dos maiores perigos Pra quem resolve aceitar Sair de seu seguro abrigo Que é nunca se apaixonar, Ficar solitário, escondido É perder essa aventura – Talvez se possa dizer a ventura Pois nada disso conta Quando se sente a doçura de amar Para quem se joga e se arrisca Sem pensar, se importar, refletir Que o risco maior é perder, é cair É não mais ser correspondido Tornar-se pedinte, um mendigo Esperando que volte o amor antigo Mas quase nunca tem volta E viver com isso é um castigo A certeza de saber ter vivido O Amor, o melhor dos sentidos Com a coragem do trapezista Que enfrenta com gosto o perigo Sem asas para voar Pois sabe que essa é a sina Inevitável, talvez dolorida De quem se dispõe a amar