
(estrofe 1) Na pedra do mundo nasceu o clarão, Pequena centelha rompendo a escuridão, E ali se revelou sua dupla função: Criar aconchego e também precaução. (estrofe 2) Dança nas madeiras, no ar e no chão, Como língua viva de antiga paixão, Mas exige respeito em cada estação, Pois traz em si força e transformação. (estrofe 3) Nas mãos do humano se torna instrumento, Aquece a noite, prepara o alimento, Mas se descuidado, em um só momento, Pode virar dor e arrependimento. (estrofe 4) Assim como a vida que arde por dentro, Precisa equilíbrio em sua expressão, Pois toda energia tem seu fundamento No justo limite da contenção. (refrão) Ó chama do fogo, brilho ancestral, Que ilumina e prova o coração, Ensina que o poder essencial É saber viver em moderação. (estrofe 5) No escuro da gruta ou no campo distante, Ela guia o homem com luz natural, Mas pede prudência a cada instante, Pois sua beleza também é mortal. (estrofe 6) Transforma a lenha em calor e memória, Faz do frio um instante de abrigo e paz, E escreve na fumaça uma antiga história Que o vento do tempo jamais desfaz. (estrofe 7) Quando a fogueira se ergue em silêncio, Reúne as almas em volta do chão, Mas lembra que tudo precisa consenso Entre cuidado e contemplação. (refrão) Ó chama do fogo, brilho ancestral, Que ilumina e prova o coração, Ensina que o poder essencial É saber viver em moderação. (estrofe 8) Ela nasceu do atrito dos mundos, Da pedra que cedeu ao próprio rigor, E guarda nos ciclos mais profundos O mistério da vida em constante fervor. (estrofe 9) Há quem a tema, há quem a adore, Pois nela habita o dom da criação, Mas quem a entende jamais a ignore Como simples força sem direção. (estrofe 10) E ao se apagar na noite tranquila, Deixa na brasa sua lição final: Que toda energia que o mundo partilha Precisa de ordem para ser vital. (refrão) Ó chama do fogo, brilho ancestral, Que ilumina e prova o coração, Ensina que o poder essencial É saber viver em moderação.

