
A harpa Últimos Sonetos, de Cruz e Souza, 1905 "post mortem" ******* Prende, arrebata, enleva, atrai, consola A harpa tangida por convulsos dedos, Vivem nela mistérios e segredos, É berceuse, é balada, é barcarola. Harmonia nervosa que desola, Vento noturno dentre os arvoredos A erguer fantasmas e secretos medos, Nas suas cordas um soluço rola... Tu’alma é como esta harpa peregrina Que tem sabor de música divina E só pelos eleitos é tangida. Harpa dos céus que pelos céus murmura E que enche os céus da música mais pura, Como de uma saudade indefinida.

