
[Introdução – muito suave, quase sussurrada] Cai a tarde sobre o caminho, e o mundo começa a adormecer. Há uma menina entre as sombras, com flores que acabam de nascer. Lá longe, o céu perde o azul, uma estrela começa a brilhar. E atrás dela, muito devagar, há alguém que a vem acompanhar. [Verso I] Caminha a menina devagar, com flores apertadas na mão, o céu despe a última luz sobre a estrada sem direção. E ao lado, sem dizer palavra, vai uma sombra de outro lugar, tem olhos fundos de silêncio e passos que não deixam marcas. [Pré-Refrão] “Quem és tu que me acompanhas? Porque não me deixas ficar?” A Morte olha para as flores e começa a cantar. [Refrão] Não tenhas medo, pequena, a noite também sabe amar, há mãos que parecem de pedra que só te querem guardar. Não tenhas medo das sombras, nem do fim que vem devagar, todas as flores que colhes um dia hão de voltar a brotar. [Verso II] “Levo flores para minha mãe, ela espera junto ao portão.” E a Morte baixa a cabeça, como quem conhece a canção. “Há muito tempo que caminho por esta estrada sem ninguém, e nunca vi tanta esperança numa mão tão pequenina assim.” [Pré-Refrão] E o vento levanta o vestido, faz as flores estremecer, a menina segue sorrindo, sem saber o que é partir. [Refrão] Não tenhas medo, pequena, a noite também sabe amar, há mãos que parecem de pedra que só te querem guardar. Não tenhas medo das sombras, nem do fim que vem devagar, todas as flores que colhes um dia hão de voltar a brotar. [Ponte – quase sussurrada] E quando o sol desaparecer por detrás daquele mar, talvez a Ceifeira seja apenas alguém que nos vem acompanhar. Talvez não exista despedida, nem um último adeus, talvez partir seja somente Ir brincar noutros céus. [Refrão final – épico] Não tenhas medo, pequena, já não precisas de andar, dá-me as flores que trazes contigo, eu ajudo-te a atravessar. E enquanto o céu se incendeia num último brilho dourado, a menina e a Morte caminham lado a lado…

