Mãe de Tudo” Verso I Eu vi‑te antes do nome, antes do medo aprender a falar, vi‑te quando eras só pulso e vontade de continuar. Não te fiz perfeito, fiz‑te capaz de escutar, há mais verdade num passo lento do que em correr para chegar. Verso II Carregas mundos nos ombros sem saber de onde eles vêm, pensas que estás sozinho mas nunca estiveste, meu bem. Cada dúvida que guardas é sinal que estás vivo ainda, quem nunca se pergunta nada já deixou de caminhar por dentro. Refrão Vem, descansa em mim um pouco, não te peço para acreditar, basta não te abandonares quando tudo começa a pesar. Sou maior do que o teu nome, mas caibo na tua mão, sou a mãe que não te prende — só te lembra quem és então. Verso III Não te falo em voz alta, não te mando sinais no céu, estou no gesto que abranda antes de dizer “sou eu”. Quando escolhes não ferir mesmo podendo ganhar, quando ficas mais um instante a escutar antes de julgar. Refrão Vem, descansa em mim um pouco, não te peço devoção, só que não te tornes estranho à tua própria pulsação. Se te perderes do mundo ou do mundo quiseres sair, lembra‑te: eu não te criei para deixares de sentir. Ponte Não sou resposta fechada, sou espaço para respirar, sou o ventre do silêncio onde o medo pode chorar. Se me chamas consciência, amor, natureza ou chão, não importa o nome que dês — importa não largar a mão. Refrão Final Vive. Mesmo sem mapa ou razão. Erra. Mas não negues o coração. Eu estou antes do início e depois da explicação, sou Mãe de tudo o que vive quando escolhe continuar.