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DEUS QUE AMEAÇA MATAR SEU ENVIADO

(estrofe) No caminho da missão, surgiu a ameaça, Um Deus que chama e depois embaraça, O enviado quase cai pela própria voz, Como se o chamado fosse um risco atroz. (estrofe) A narrativa treme num gesto confuso, Quem envia parece tornar-se acusador difuso, O mesmo que chama agora cobra a vida, Uma lógica dura, tensa, dividida. (estrofe) Se o mensageiro anda sob constante perigo, O amor se dissolve em medo antigo, E a vocação vira campo minado, Onde servir a Deus é viver ameaçado. (refrão) Não é este o Deus que Jesus revelou, Quem chama sustenta, jamais atacou, O Pai não persegue quem Ele envia, O amor não ameaça, protege e guia. (estrofe) Um Deus assim reflete a angústia humana, Projetada no céu de forma soberana, Medos antigos vestidos de revelação, Confundiram cultura com intenção. (estrofe) Quem escreve carrega seus próprios temores, E os pinta em Deus como traços autores, Mas o texto guarda mais do que afirma, Mostra o humano tentando explicar a rima. (estrofe) Jesus não coloca armadilhas no caminho, Ele anda junto, reparte o vinho, Se alguém cai, Ele levanta a mão, Não transforma vocação em punição. (refrão) O Deus de Jesus não age por emboscada, Não testa o amor com lâmina armada, Quem é chamado é também guardado, Nunca ferido, nem ameaçado. (estrofe) Se Moisés quase morreu no relato antigo, Foi o autor lutando consigo, Tentando conciliar dever, lei e temor, E chamando isso, apressado, de Senhor. (ponte) Perdão, Senhor, por defender essa imagem, De um Deus instável, duro na viagem, Justifiquei o medo como correção, Quando Tu sempre foste cuidado e compaixão. (refrão) Não és Deus que ameaça seu mensageiro, Não jogas o chamado contra o obreiro, Em Cristo aprendemos sem hesitar: Quem envia por amor, sabe sustentar. (refrão final) Hoje descanso em Jesus, Deus-amor, Nenhuma ameaça vem do Teu favor, Jamais serias outro, nem contraditório, Conosco estás, fiel, cuidador e provisório não, mas eterno.