
(estrofe 1) Um fio de prata desce do céu, beijando a água sem fazer ruído, parece um sonho escrito em véu, num espelho noturno adormecido. (estrofe 2) Não chega impondo claridade, nem rasga a noite com violência, oferece apenas suavidade, como um gesto de delicada presença. (estrofe 3) Na superfície, a lua se espalha, em pequenos brilhos a cintilar, como quem borda uma toalha com fios de estrelas sobre o mar. (estrofe 4) A água recebe aquele clarão sem exigir que a noite se renda, e ensina que uma iluminação pode ser firme sem ser tremenda. (refrão) Luz que toca sem ferir, brilho que sabe esperar, quem aprende a iluminar também aprende a não invadir. (estrofe 5) Há força na luz delicada que não precisa dominar, como uma palavra bem pensada que sabe a hora de silenciar. (estrofe 6) O reflexo jamais se apressa, segue o movimento do lugar, e cada ondulação confessa que a beleza também sabe mudar. (estrofe 7) Talvez iluminar seja assim: oferecer clareza sem pressão, deixar que o outro encontre em si o próprio caminho e direção. (refrão) Luz que toca sem ferir, brilho que sabe esperar, quem aprende a iluminar também aprende a não invadir. (estrofe 8) A lua não toma a noite inteira, nem apaga o brilho do luar; sua presença, leve e companheira, faz o escuro também respirar. (estrofe 9) Quem contempla esse brilho sereno descobre uma rara lição: nem todo poder precisa ser pleno, nem toda presença pede atenção. (estrofe 10) E quando a água volta ao escuro depois que o reflexo se desfaz, fica no olhar um ensino seguro: a verdadeira luz também é paz. (refrão) Luz que toca sem ferir, brilho que sabe esperar, quem aprende a iluminar também aprende a não invadir.

