
(estrofe 1) Havia sempre uma história pronta para contar, Uma lembrança antiga que fazia alguém gargalhar; Meu pai puxava um caso, alguém vinha completar, E a sala inteira começava novamente a festejar. (estrofe 2) Imitavam algum amigo com seu jeito peculiar, Mudavam voz, expressão, maneira de caminhar; E eu guardava cada cena como um pequeno tesouro, Pois o riso daquela época valia mais que ouro. (estrofe 3) Meus amigos também tinham histórias para lembrar, Algum acontecimento impossível de acreditar; Às vezes um simples erro virava grande diversão, E uma situação comum ganhava outra dimensão. (estrofe 4) Meu pai contava episódios dos amigos que conheceu, Eu lembrava outros tantos que comigo aconteceu; Entre exageros, detalhes e alguma invenção, A verdade vinha acompanhada de muita animação. (refrão) Tenho saudades de mim e das histórias engraçadas, Das risadas espontâneas, das conversas prolongadas; Do cotidiano simples que virava celebração, E fazia da lembrança uma festa no coração. (estrofe 5) Havia histórias repetidas que ninguém se cansava, Pois cada nova versão mais graça acrescentava; O que ontem fora apenas um pequeno acontecimento Hoje já recebia outro tom no pensamento. (estrofe 6) Às vezes bastava uma palavra fora do lugar, Um gesto inesperado ou um jeito de falar; E aquilo que parecia pequeno, sem qualquer importância, Virava uma memória preservada pela distância. (estrofe 7) Eu ria das imitações e também entrava na brincadeira, Sem perceber que construíamos memória verdadeira; A alegria não precisava de motivo especial, Bastava gente querida reunida ao final. (refrão) Tenho saudades de mim e das histórias engraçadas, Das risadas espontâneas, das conversas prolongadas; Do cotidiano simples que virava celebração, E fazia da lembrança uma festa no coração. (estrofe 8) Hoje algumas dessas pessoas estão longe ou mudaram, Mas as histórias que contamos jamais desapareceram; Elas atravessam os anos com surpreendente vigor, Porque certas gargalhadas sobrevivem ao tempo e à dor. (estrofe 9) Quando recordo meu pai contando alguma situação, Quase escuto novamente sua maneira de narração; E lembro que a felicidade, muitas vezes, se escondia Numa conversa sem importância que terminava em alegria. (estrofe 10) Talvez eu não consiga recuperar aquele lugar, Nem reunir novamente quem fazia tudo alegrar; Mas posso guardar comigo aquilo que ficou: A capacidade de rir da vida e celebrar o amor. (ponte) Lamento as vezes em que deixei de achar graça, Quando a preocupação ocupou toda a praça; Esqueci que a alegria também precisa de atenção, E deixei o riso perder espaço no coração. (refrão) Tenho saudades de mim e das histórias engraçadas, Das risadas espontâneas, das conversas prolongadas; Do cotidiano simples que virava celebração, E fazia da lembrança uma festa no coração. (refrão final) Hoje eu amo quem sou e escolho ainda sorrir, Mesmo quando a tristeza tiver razão para existir; Quero guardar o menino que sabia celebrar, E fazer da própria vida outra história para contar.

