
Fila da Morte (Remastered)
(Verso 1) Acordei num caixão, meio apertado, Com Wi-Fi fraco e cheiro de passado. Toquei a campainha do inferno — ocupado, E o céu mandou-me um e-mail atrasado. (Pré-refrão) "Prezado falecido, sua morte foi um erro, Volte pra Terra no próximo enterro!" (Refrão) Oh não! Nem morrer me querem deixar, Já fiz a mala, já pus a alma a vagar. Na fila da morte, só ouço "aguarde", Até no além, tem burocracia tarde! (Verso 2) Fui me atirar de um penhasco em chamas, Mas caí num spa com velhas damas. Bebi veneno, mas era detox, E a forca virou num escorrega de box. (Pré-refrão) "Senhor do destino, desisto do roteiro, Só quero um fim digno, tipo filme brasileiro." (Refrão) Oh não! Nem pra morrer tenho talento, Sou figurante no próprio falecimento! Na roleta russa perdi pro tambor, Disse “adeus mundo”, mas fiquei no corredor! (Ponte falada – estilo teatro absurdo) — “Senhor, aqui é o setor de execução agendada. O senhor tem senha?” — “Tenho sim, mas perdi a vontade no caminho...” — “Próximo!” (Verso 3) Comprei caixão na Black Friday errada, Veio com LED e almofada bordada. Fui cremado, mas era só sauna, E o diabo estava de folga na Espanha. (Último refrão) Oh não! Esta vida é um ensaio geral, E a morte virou spin-off musical! Na lápide, escrevam com muito decoro: “Tentou morrer, mas morreu de choro.” (Final) E se um dia eu for de vez, por favor não chorem, Cantem essa letra — e se puderem, decorem. Porque no fim, com sarcasmo ou sem, Todo mundo vira meme... ou amém.

