
[Verso 1] Tenho dezassete e já tou a contar Cada mês no calendário a gritar Na escola eu faço contas, não é de álgebra É a ver quanto falta pra sair da cela Mãe diz "vai com calma", eu digo "com licença" Porque a pressa em mim já fez residência Quero ter carta, não só ter papelada Quero ter volante, não só a paciência amassada No bolso levo sonhos, na cabeça levo medo Mas o medo vai de atraso, eu passo-lhe o segredo Vinte e quatro horas, sete dias, todo o ano Eu tô no modo espera, tipo fila do humano Os meus amigos já falam de sair de noite Eu saio da sala, que é o meu maior açoite Quero dizer "vou buscar", sem pedir carona Ser dono da estrada, mas ainda preso na zona [Pre-Chorus] Falta pouco, eu sei Mas parece um século, meu bem Quando fizer dezoito, já não fico a pé Vou pôr o pé no pedal e sair de vez [Chorus] Dezoito, dezoito Já não vou de boleia Dezoito, dezoito Quero vida sem plateia Dezoito, dezoito Chave na minha mão Dezoito, dezoito Sai da frente, atenção [Verso 2] Eu vejo um carro e já faço romance Com o volante na mão, eu ganho mais chance Quero mudar de marcha, mudar de paradigma Hoje sou menor, amanhã sou magnata da sigla Na minha casa chamam-me "o miúdo apressado" Mas eu já nasci com o acelerador ligado Tão perto da maioridade, quase a tocar Só me falta a idade e um bom lugar pra estacionar A minha vida agora é um teste sem manual Tudo em modo provisório, tudo meio lunar Se a conta é de sair, eu faço contas de cabeça Somando liberdade com uma pequena pressa Até o relógio me olha com cara de gozo Mas eu respondo "espera, que eu já sou grandioso" Quero ser maior, sem pedir autorização Quero abrir a porta e ligar a ignição [Bridge] Quando chegar o dia, vai ser festa no bairro Eu saio da menoridade, sem deixar recado Muda o meu mapa, muda o meu destino Da carteira escolar pra carteira de condutor fino [Chorus] Dezoito, dezoito Já não vou de boleia Dezoito, dezoito Quero vida sem plateia Dezoito, dezoito Chave na minha mão Dezoito, dezoito Sai da frente, atenção

