
Vens sempre por volta da meia-noite. Mostras os dentes afiados. Desces para dentro da água e puxas-me para o fundo. E deixaste-me depois, a afogar-me em tudo, a colecionar perguntas, a submergir na incerteza. E esta água é gelo. Esta água é breu. É estranha. É antiga. Afogaste as minhas esperanças, abriste fendas no que restava. Sinto-me uma alma perdida. Como é que deixo alguém entrar se nem consigo deixar-te ir? Como é que deixo as feridas fechar se nem consigo sangrar devagar? Há sangue na água. Como poderei voltar a confiar em alguém? Uma sombra assombra-me a mente antes de adormecer. O teu fantasma sussurra-me enigmas, a tua indiferença devora-me. E esta água é gelo. Esta água é breu. É estranha. É antiga. Afogaste as minhas esperanças, abriste fendas no que restava. Sinto-me uma alma perdida. Como é que deixo alguém entrar se nem consigo deixar-te ir? Como é que deixo as feridas fechar se nem consigo sangrar devagar? Há sangue na água. Como poderei voltar a confiar em alguém? A tua sombra apaga a luz, o espectro das esperanças mortas. A última entrada traz o teu nome no arquivo dos meus enganos. Como é que deixo alguém entrar se nem consigo deixar-te ir? Como é que deixo as feridas fechar se nem consigo sangrar devagar? Há sangue na água. Como poderei voltar a confiar em alguém? Há sangue na água. _________________________ Acima o futuro arde e foi vendido Por isso vou ficar aqui, na muda companhia do fundo do mar Sentindo-me estranha e antiga Alma perdida Alma perdida

