
(estrofe 1) Minha alegria não nasceu ilesa, veio marcada pelo atravessar, carrega cortes na própria leveza e ainda assim insiste em ficar. (estrofe 2) Ela sangrou em dias sem resposta, aprendeu a andar com o peso real, não fugiu quando a dor foi posta como fronteira emocional. (estrofe 3) Há riso que nasce do chão rachado, não do jardim sempre em flor, alegria que já foi golpeada e não se rendeu ao rancor. (refrão) Minha alegria sangra, mas não morre, não se vende ao desespero cruel, ela manca, cai, mas corre contra a noite que pede o fel. (estrofe 4) Não confundo alegria com anestesia, nem com sorriso teatral, ela convive com a melancolia sem perder seu sinal vital. (estrofe 5) Há feridas que viram memória, não sentença nem prisão, elas escrevem outra história no avesso do coração. (estrofe 6) Ser alegre aqui é permanecer sem negar o que me feriu, é deixar a dor dizer sem deixar que ela decida quem eu fui. (refrão) Minha alegria sangra, mas não morre, não se rende ao caos interior, ela treme, mas ainda escolhe continuar sendo amor. (estrofe 7) Aprendi que a alegria ferida não é fraca nem ilusão, é a forma mais decidida de continuar humano então. (estrofe 8) Hoje carrego cicatrizes abertas que não pedem mais perdão, são marcas honestas de quem não desistiu do chão. (ponte) Lamento os dias em que a dor me fez confundir lucidez com frieza, quando abandonei minha alegria para caber na própria tristeza. (refrão) Minha alegria sangra, mas não morre, não se esconde nem se desfaz, ela sofre, mas ainda escolhe ser vida em meio ao jamais. (refrão final) Hoje eu me amo mesmo ferido, alegre apesar do que doeu, aceito a tristeza quando é sentido, mas decido viver — e isso sou eu.

