INTRO Quatro minutos de ruído num Discord mudo Microfone aberto, mas o respeito tá surdo Três dias calado? Eu aprendi no silêncio Enquanto vocês riam, eu afiava o argumento O eco da call ensinou-me a verdade Quem fala nas costas nunca aguenta frontalidade Isto não é saudade, isto é ajuste de tom Bem-vindos à resposta — carreguem no play então VERSO 1 Três dias de silêncio, eu ouvi-vos bem O Discord calado, mas o veneno vem Entre piadas fracas e riso forçado Vocês falam de mim, eu fico marcado André com moral de plástico reciclado Fala de mim baixo, mas alto fica calado Tiago ri-se sempre, mas nunca diz nada Eco humano, presença emprestada Rita aponta o dedo com ar superior Mas treme quando o espelho mostra o pior Bala22 dispara, mas é munição em branco Muito barulho, zero impacto Vocês gargalham juntos, acham-se espertos Mas a amizade de vocês tem prazos curtos Eu fiquei na call, vocês ficaram no teatro A representar confiança com medo nos factos PRÉ-REFRÃO “Ricardo, volta logo a falar”, eu ouvi Mas quando falo a sério, fogem de mim O silêncio que doeu virou munição Cada risada falsa paga comissão REFRÃO O Discord ficou mudo, mas eu aprendi Que quem fala nas costas nunca cresce aqui Vocês queriam piada, queriam-me quebrar Agora engolem seco quando eu começo a rimar A call tá pesada, o clima mudou O desconforto entrou, a máscara caiu Sem mim era fácil, era só gozar Agora é diferente quando eu sei falar VERSO 2 Vocês citam frases como se fossem vossas Mas coragem zero quando a conversa engrossa “Enfia o dedo no cu e cheira”, que engraçado Humor de choque pra esconder ego frágil e cansado “Vou-te arrancar as tripas”, assinatura vazia Muito edgy na net, pouca espinha no dia-a-dia Criticam tudo, mas constroem zero Especialistas em nada, juízes do desespero Enquanto eu pensava, vocês conspiravam Mas esqueceram-se que eu também observava Cada piada interna, cada cochicho podre Agora rima tudo, e a verdade não se esconde Vocês chamam união, eu chamo conveniência Quando um cai, os outros fingem inocência Grupo unido só enquanto dá jeito Quando aperta, cada um salva o seu peito PRÉ-REFRÃO No chat vazio eu cresci Enquanto vocês falavam, eu evoluí O silêncio foi treino, não punição Agora escutem bem esta lição REFRÃO O Discord ficou mudo, mas eu aprendi Que quem fala nas costas nunca cresce aqui Vocês queriam piada, queriam-me quebrar Agora engolem seco quando eu começo a rimar A call tá pesada, o clima mudou O desconforto entrou, a máscara caiu Sem mim era fácil, era só gozar Agora é diferente quando eu sei falar BRIDGE Será que estão na call agora a fingir normal? Ou a escrever no privado mais um ataque banal? A amizade era real… até eu perceber Que o vosso riso só existe pra se esconder Não preciso de gritar, nem de vos humilhar Vocês fazem isso sozinhos sempre que tentam falar Este som não ameaça, este som revela E a verdade nua deixa qualquer um em cautela REFRÃO (FINAL) O Discord ficou mudo, mas eu despertei Vocês ficaram presos no jogo que eu larguei Riam de mim quando eu não dizia nada Agora cada verso é uma porta fechada A call tá estranha, ninguém quer falar O desconforto pesa, dá vontade de bazar Aprendam a lição sem eu repetir Quem vive de troça acaba por cair (FIM / OUTRO) Então fiquem na call, façam de conta que está tudo bem Mas saibam que eu sei — e isso não passa a ninguém Não quero desculpas, nem teatro final Só que pensem duas vezes antes de falar mal O Discord não esquece, o silêncio ensina E esta resposta fica gravada na linha Quatro minutos bastaram pra esclarecer Nem todos os calados são fáceis de vencer


